No dia 18/10, começaram os trabalhos de elaboração do novo
Código Penal brasileiro. Foi instalada, em sessão solene, uma comissão de
juristas que ficará encarregada de elaborar a minuta do projeto de lei que
reformará o atual código, de 1940.
O Plenário do Senado Federal aprovou em 10/8/2011 o
Requerimento nº 756/2011, de autoria do Senador Pedro Taques (PDT-MT), o qual
criou a comissão especial para elaborar o projeto de reforma do Código Penal.
Presidida pelo Ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça, a comissão
é formada por juristas indicados pelas lideranças partidárias do Senado.
Integram o grupo a ministra do STJ Maria Thereza de Assis Moura
e os especialistas Antonio Nabor Areias Bulhões, Emanuel Messias de Oliveira
Cacho, Gamil Föppel El Hireche, José Muiños Piñeiro Filho; Juliana Garcia
Belloque, Luiz Flávio Gomes, Luiza Nagib Eluf , Marcelo André de Azevedo,
Marcelo Leal Lima Oliveira, Marcelo Leonardo, René Ariel Dotti, Técio Lins e
Silva, Tiago Ivo Odon e o Luiz Carlos dos Santos Gonçalves
Durante o mês de setembro o IBCCRIM, realizou uma Mesa de
Estudos e Debates acerca do tema. O evento contou com os expositores Janaina
Conceição Paschoal, advogada e professora livre docente de Direito Penal na USP,
juntamente com Relator da Comissão, Luis Carlos dos Santos Gonçalves, mestre e
doutor em Direito Constitucional.
Na ocasião, o relator defendeu a idéia de que fosse feita no
Brasil uma legislação codificada em Direito Penal, condizente com o Estado
Democrático de Direito. Gonçalves ressaltou que o atual ordenamento jurídico
possui diversas normas penais esparsas criadas ao longo do tempo, com o fim de
satisfazer necessidades pontuais, gerando um prejuízo na sistematização e
organização dos tipos penais, e consequentemente na proporcionalidade das penas.
Isto acaba por gerar insegurança jurídica decorrente de desencontradas
interpretações e contraditórias jurisprudências.
O presidente da comissão, o Ministro Gilson Dipp, em entrevista
ao site Conjur, disse que haverá uma tendência de valorização das penas
alternativas e de retirada de condutas que atualmente não são mais penalmente
relevantes e que podem ser tratadas com penalidades administrativas, civis e
tributárias. "Temos que selecionar quais os bens jurídicos que merecem a efetiva
proteção do Direito Penal".
A comissão deve elaborar minuta de regulamento para disciplinar
os trabalhos e promover audiências públicas com setores interessados da
sociedade. O atual Código Penal foi instituído pelo Decreto-Lei 2.848, de 1940,
com revisão de sua parte geral pela Lei 7.209, em 1984, o que revela, segundo o
senador Pedro Taques, notável grau de atraso e falta de sintonia com as
exigências contemporâneas de segurança e proteção da população.
“Vamos ouvir a sociedade e as instituições", informou o
Ministro, que destacou o momento histórico favorável para esse debate. "Temos
agora o apoio do Congresso Nacional, porque as comissões anteriores foram feitas
geralmente pelo Ministério da Justiça, com pouco apoio político."
A comissão terá 180 dias, após a instalação, para apresentar as
propostas iniciais para a modificação do Código, com a justificativa de
adequá-lo aos princípios da Constituição de 1988 e às novas exigências de uma
sociedade moderna.
Fonte IBCCRIM

A ONG WWW.APACONT.ORG.BR APOIA ESTA MENSAGEM.
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