“Em geral, nada irrita mais os subordinados do que verem-se tratados com sobranceria. Determinadas pessoas consideram que cumprem a lei alimentando e mantendo vivos os reclusos, e que nada mais é preciso. Outro erro. Por mais aviltado que esteja, todo o individuo exige instintivamente que respeitem a sua dignidade de homem. Sabe que é um preso, um réprobo, e conhece as distâncias que o separam dos seus superiores, mas nem as grilhetas, nem os sinais de ignomínia, o obrigam a esquecer que é um homem. E, como o é, deve ser tratado como tal. Meu Deus, um tratamento humano pode resgatar até aqueles em que a imagem da divindade parece ofuscada! É precisamente com os <<infelizes>> que nos devemos comportar o mais humanamente possível; reside nisso a sua salvação e a sua alegria. Encontrei superiores dotados de grande coração e vi o efeito que produziam nos humilhados. Com poucas palavras afáveis, ressuscitavam moralmente os seus homens. Quando os compreendem, os presos ficam contentes como crianças, e como crianças acabam por amar”.
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